segunda-feira, 10 de agosto de 2009


UM RASTRO A SER SEGUIDO
“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas,
desembaraçando-nos de todo peso e pecado que tenazmente nos assedia, corramos com
paciência, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o autor e
consumador da nossa fé, Jesus...”
(Hebreus 12.1-2)
Não é difícil percebermos que em nossa mente habita o pensamento de
independência. “Vivo sozinho e não tenho que prestar contas a ninguém!”. Mas diferente
disso há muito mais pessoas nos observando do que imaginamos.
A nuvem de testemunha que o autor aos hebreus nos apresenta, pode ser
interpretada por dois pontos de vista. Pode se referir a tantas testemunhas por quem
devemos nos espelhar, como pode significar uma grande quantidade de pessoas que nos
observa. Quanto ao primeiro significado devemos levar em consideração que facilmente
as pessoas só querem repetir as atitudes de pessoas erradas. Diante disso é preciso
analisarmos quem tem sido nosso referencial. O verso dois responde-nos nessa
indagação. Devemos olhar para Jesus, ou a todos aqueles que O refletem. E nesse aspecto
entra o segundo significado. Uma nuvem de testemunha tem nos observado. O que temos
refletido para a vida dos outros? Será que eles tem olhado para nós e visto Jesus?
Algumas coisas impedem esse reflexo. Duas delas são ditas ainda no verso um:
o peso e o pecado.
Tanto o pecado quanto o peso nos impedem de corrermos a carreira que nos está
proposta, carreira essa que nos possibilita refletir Jesus ao longo de nossa história,
deixando assim um rastro a ser seguido. Esse peso pode ser o nosso ativismo. Atividades
não refletem necessariamente um grau elevado de espiritualidade. Devemos nos
desembaraçar tanto de um como do outro.
Precisamos atentar que o pecado e o peso não só nos rodeiam como nos
embaraçam, nos enrolam. Dificultando toda e qualquer iniciativa que tomemos em prol
do Reino de Deus e de nosso próprio crescimento espiritual.
O que tem nos enrolado a tal ponto de não conseguirmos produzir os frutos que
tanto Deus espera de nós, quanto é tão natural quando a presença de Jesus em nós se
torna notória?
Devemos então como o autor nos ensina desembaraçar-nos, e isso significa
deixar o pecado e o peso radicalmente confessando-os a Deus; e só assim correremos
com paciência a carreira que nos está proposta. Olhando FIMEMENTE para Jesus.
(Fonte: Meditações de Roosevelt Arantes)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

FRUTIFICAR: Um desafio para cada um de nós


“Que o Senhor não me ache sem frutos”

Marcos 4.26-29

“Disse ainda: O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse não sabendo ele como. A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga. E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.”

Em meio a tantas coisas que nós fazemos em nosso dia-a-dia se torna cada vez mais difícil pensamos ou lembrarmos-nos de nossa responsabilidade de frutificar para que o Reino de Deus possa ter o maior alcance possível. Na verdade dificilmente nos lembramos que temos responsabilidades sobre esse aspecto.
Na parábola da semente descrita em Marcos 4.26-29 Jesus nos ensina algumas coisas importantes e que devem permanecer bem reais em nosso dia-a-dia.

Analisando cada partícula dessa parábola devemos entender o que Jesus quis nos ensinar ao dizer:

“... O Reino de Deus...”. É bom deixar claro que o Reino de Deus não está restrito a uma nação geograficamente organizada. Podemos e devemos entender o Reino de Deus composto por tudo aquilo que está debaixo do seu governo. Aqui em particular estamos falando dos salvos, ou do processo de salvação de vidas. Seja aqui no Brasil, seja lá no Japão. O alcance do governo de Deus.

“...é assim como se um homem lançasse a semente à terra;”. Diante disso podemos entender que:
1. É preciso alguém que lance a semente, ou seja, pregue a Palavra.
2. É preciso que este homem possua, ou esteja de posse da Palavra, para que só assim possa a lançar.
3. Quem produz a semente não é este homem.
4. A semente para virar uma árvore precisa morrer (João 12.24).

“... depois, dormisse...”. Nosso papel não é convencer as pessoas (João 16.8). Nosso papel é lançar a semente.
Essa parte nos dá entender que depois de lançada a semente (A Palavra) nos temos que descansar, ou seja, confiar que o Senhor convença a pessoa.
Esse dormisse não significa que agora não se tem mais nada a fazer, muito pelo contrário...

“... e se levantasse, de noite e de dia”. A partir desse trecho entendemos:
1. Nunca devemos nos acomodar. Há uma rotina para ser cumprida. O trabalho não parou, o foco mudou. Jesus deixou claro em outra parábola, que quando os trabalhadores dormiram o nosso inimigo plantou o joio no meio do trigo. (Mateus 13.24-30).
2. Levantar de noite e de dia dá idéia de vigiar a terra em que a semente foi plantada. É o momento de intercessão pela Palavra que foi plantada.

“... e a semente germinasse e crescesse não sabendo ele como”. Aqui podemos entender que:
1. A semente germina e cresce ao longo do tempo.
2. Para que isso aconteça não precisa de nós. O máximo que podemos fazer é regar um pouco, como disse o apóstolo Paulo: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós” (I Coríntios 3.6-9).
3. As coisas acontecem de forma que não entendemos. É inexplicável, é irracional, é milagroso, é divino.

“... A terra por si mesma frutifica...”. O fruto é uma coisa natural. O homem está ansioso por receber a mensagem. Jesus aos seus discípulos disse: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro. Pois, no caso, é verdadeiro o ditado: Um é o semeador, e outro é o ceifeiro” (João 4.35-37). Ele disse isso logo depois de ter anunciado o evangelho à mulher samaritana, que automaticamente se tornou missionária e foi falar de Jesus aos outros moradores daquela região. Além disso o apóstolo Paulo afirmou: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus” (Romanos 8.18-19). Paulo deixa claro que a natureza espera nossa revelação.

“... primeiro a erva, depois a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga”. Entendemos com isso que:
1. A vida cristã é um processo.
2. A vida cristã é um ciclo. Quando o fruto está pronto para produzir mais fruto ele esta pronto para ser colhido.

“... E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa”.

Foi por tudo isso que ao falar sobre nossa conversão Jesus deixou bem claro o que deveríamos fazer Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda (João 15.16). De nossa parte, não é uma questão de escolha. É uma questão de obediência. Fomos chamados para frutificar.
Para deixar mais claro e para que nós acordemos quanto a nossa responsabilidade ainda no livro de Marcos acontece um fato que merece nossa atenção. É no capítulo onze, quando o Senhor observa uma figueira que possuía folha, mas não possuía fruto. O texto fala por si mesmo: “No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto” (Marcos 11.12-14). Como se não bastasse o autor de Marcos faz questão de destacar no verso 20 que “E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz” (Marcos 11.20). Diante disso só posso dizer: “Que o Senhor não me ache sem frutos”.
E você o que diz?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Olhai para mim e fazei o que eu faço!!! – Juízes 7.17a


As pessoas podem muito bem olhar para qualquer pessoa, mas que tipo de olhar eu tenho atraído? As pessoas podem olhar para qualquer um que chame a atenção, qualquer um que provocar escândalos, mas que tipo de olhares eu tenho atraído à minha pessoa.

O discípulo de Jesus Cristo não pode se conformar com qualquer tipo de olha à sua pessoa.

Gideão não somente teve a coragem de chamar os olhares de todos que o rodeava para si como também disse “e fazei o que eu faço”. Pedi para aqueles que não nos conhece que olhem para nós é muito fácil, pois podemos facilmente enganá-los, porém chamar os olhares daqueles com quem convivemos é arriscado, pois eles nos conhecem e vão automaticamente nos provar ou reprovar com seus olhares.

Que tipo de olhar eu tenho atraído à minha pessoa? Essa pergunta faço a mim e faço a você.

“E fazei o que eu faço”. Pedir que as pessoas façam o que nós fazemos sem ter responsabilidade também é muito fácil, contudo quando vidas dependem de cada atitude que eu tomo dizer “e fazei o que eu faço” recebe outra conotação. Significa que juntos cumpriremos a missão, juntos assumiremos as responsabilidades, mas principalmente “e fazei o que eu faço” significa que tenho plena convicção de que o que eu faço ou farei é exatamente o que as vidas que dependem de mim precisam. O que tenho feito é exatamente o que as vidas precisam? É digno que as pessoas repitam?

“Olhai para mim e fazei o que eu faço” para o cristão é nada mais nada menos do que a certeza de que tudo o que tenho feito é exatamente aquilo que Jesus Cristo faria hoje se estivesse no meu lugar. Para que essa afirmação seja verdadeira em minha vida eu preciso pedir os olhares se, e somente se, eu puder dizer como Paulo: “sede meus imitadores como eu sou de Cristo”. Assim você poderá dizer “Olhai para mim e fazei o que eu faço”, pois eu estou olhando para Jesus Cristo.

AMÉM.

Roosevelt Arantes da Silva

quinta-feira, 31 de julho de 2008

UMA CONVERSA NO TRAVESSEIRO


Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.

Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro.

Salmo 4:4 e 8.

O HOMEM SEM DEUS É UM HOMEM CORROMPIDO

No domingo passado fui surpreendido por um chamado de um colega de seminário por volta das 22:30h, pois havia batido e seu carro. Ao chegar no local ficamos muitos assustados, pois além de uma viatura da polícia lá estavam duas ambulância e o que pensávamos que seria algo de conseqüências leve nos pareceu de um grau muito maior. Nossos corações ficaram muito mais inquietados ao ver Miriam, a esposa do nosso amigo seminarista João Batista, dentro da ambulância. Graças a Deus o ferimento sofrido por ela não foi tão grave, o que não nos deixou menos tranqüilo, pois ainda havia muita coisa a se resolver. Em meio a tudo isso um dos policiais que estava na viatura da polícia que estava ali conosco começou a nos pressionar para pagarmos algo para ele. Enquanto estávamos preocupados com a saúde física e emocional de nossos irmãos um dos policias se aproveita do momento para tentar conseguir dinheiro naquilo em que ele deveria estar fazendo apenas por obrigação.

Há um tempo nós brasileiros temos sido impactados por uma série de escândalos espelhados na nossa liderança política. Se é de hoje a corrupção, ou se vem de longas datas não é cerne de nossa mensagem o que está em cheque é o estado em que se encontra o ser humano hoje.

Escândalo do mensalão, escândalo da sanguessuga, escândalo entre líderes que se dizem evangélicos, escândalo na venda da Varig.

Esses e outros centenas de escândalos não divulgados fazem parte da realidade brasileira e reforçam o que diz a Palavra de Deus de que o homem está corrompido.

Se pararmos para refletir, perceberemos que aqueles que estão em destaque, e por isso nos escandalizamos, são pessoas que emergiram da própria sociedade, no nosso caso da sociedade brasileira.

Logo podemos concluir que temos líderes corruptos, por que temos uma sociedade corrupta. Temos uma sociedade corrupta, por que temos famílias corruptas. Temos famílias corruptas, porque somos corruptos.

Diante disso você pode até dizer: Eu não sou corrupto. Mas a bíblia afirma:

“Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. - Salmo 14:2-3.

Diante disso, e baseado no que o salmista Davi escreveu no salmo quarto, quero convidar-vos a realizar uma conversa no travesseiro. Disse o salmista:

Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.
Ó homens, até quando tornareis em vexame, e amareis a vaidade, e buscareis a mentira?
Sabei, porém, que o Senhor distingui para si o piedoso; o senhor me ouve quando eu clamo por ele.
Irai-vos e não pequeis; consultai o travesseiro e sossegai.
Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no Senhor.
Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o em? Senhor levanta sobre nós a luz do teu rosto.
Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho.
Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro.

Salmo 4

Como está o teu coração ao repousar no travesseiro?

Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.
Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro.

Salmo 4:4 e 8.

Ainda nos dias de hoje com tanto entretenimento, tantas coisas que poderia trazer felicidade, tranqüilidade e "paz" aos homens os índices de suicídios são assustadores e então nos perguntamos por que isso acontece?

Índices de Suicídios no Brasil e no Mundo

Suicídios no mundo:

  • No mundo suicidam-se diariamente 2000 pessoas.*
  • Nos Estados Unidos são 30.000 suicídios por ano (quase 100 por dia).
  • No geral, 7% dos suicidas sofrem de dependência alcoólica.
  • Aproximadamente 90% de quem tenta, avisa antes.
  • Em torno de 70% dos suicídios ocorrem em decorrência de uma fase depressiva.
  • Quem já fez uma tentativa, tem 30% mais chances de repetir do que quem nunca tentou.

* Esses valores podem ser bem maiores, pois muitos casos de suicídios são considerados acidentes.

No Brasil:

  • Entre 1989 e 1998 os suicídios aumentaram 56,9%.
  • O índice brasileiro é de 4,9 suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.
  • O Rio Grande do Sul possui os índices mais altos: 11 para cada grupo de 100 mil habitantes.
  • Porto Alegre é a capital com maior taxa de suicídios (11,9/100 mil).
  • Entre 1993 e 1998, o número de jovens que tentaram o suicídio aumentou 40%.
  • Em 1997 quase 1.500 jovens tentaram se matar no Brasil.

O grande índice de suicídios não está restrito a pessoas desprovidas de bens, muito pelo contrário a Suíça, um país desenvolvido, tem um dos maiores índices de suicídios do Planeta. Por que pessoas planejam e executam o termino de suas vidas? Não é uma questão de bens materiais é uma questão de falta de Deus. Essa falta de Deus causa uma angustia que invade o coração causando um grande sentimento de frustração. Alguém já disse e isso é bem real, que cada um de nós tem um vazio do tamanho de Deus e que só é preenchido por ele.

Como está o seu coração ao repousar no travesseiro?

O salmista Davi nos ensina em seu quarto salmo princípios para uma vida de paz.

1. Davi buscava ao Senhor Deus em oração.

O verso primeiro nos diz: “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração”.

No Salmo 5.3. O próprio Davi afirma “De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando”. O que Davi buscava? Ele buscava resposta, buscava alívio na angustia e buscava a misericórdia divina. Ao dizer no verso segundo Ó homens, até quando tornareis em vexame, e amareis a vaidade, e buscareis a mentira?” O salmista nos mostra que diferente dele os homens (insensato) amam a vaidade e buscam a mentira.

2. Davi pertencia ao Senhor

Quando lemos o terceiro versoSabei, porém, que o Senhor distingui para si o piedoso; o Senhor me ouve quando eu clamo por ele”, podemos perceber que Davi podia ter uma vida de paz porque tinha plena consciência de que pertencia ao Senhor.

Paulo teve essa mesma consciência ao dizer em II Timóteo 2.19. “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O SENHOR CONHACE OS QUE LHE PERTENCE”. Isso é algo que foi uma realidade em Davi foi uma realidade para Paulo e pode ser real para todo aquele que se entrega a Deus.

3. Davi se quebranta diante do Senhor.

Ao dizer no verso quintoOferecei sacrifícios de justiça e confiai no Senhor”. O salmista Davi nos convocando a confiar no Senhor oferecendo a Ele sacrifícios de justiça, ou seja, sacrifícios justificáveis. Mas que sacrifícios são esses? Em seu salmo 51 no verso 17 o próprio Davi diz “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado (HUMILHADO); coração compungido (CORTADO) e contrito (AJUELHADO), não o desprezarás, ó Deus”. Logo aprendemos que é necessário que nos quebrantemos diante do Senhor. Muitos ao invés de se quebrantarem andam ordenando ao Senhor como se Ele estivesse submisso às nossas vontades. Outros ao invés de se quebrantarem andam fazendo as coisas à sua própria maneira, como se pudessem escolher as melhores opções para suas próprias vidas. É preciso que nos humilhemos diante do Senhor. No verso sexto o salmista diz que Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o em? Senhor levanta sobre nós a luz do teu rosto”. Enquanto muitos que só questionam. Davi clama pela benevolência. Pedir que Deus levantasse a luz do Seu rosto sobre ele era clamar por benevolência, por salvação, assim como ele mesmo o fez no Salmo 31.16. “Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua misericórdia”.

Diante dessas três atitudes de Davi, ele possuía uma alegria diferente das dos homens, como está descrito no verso sétimo Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho”. Enquanto os homens vivem alegrias passageiras. Davi tem a alegria maior.

Por isso e só por isso Davi podia dizer: Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro”. (V.8)

Tudo isso fazia com que Davi tivesse:

Paz. Paz que só Jesus pode dar e é uma paz diferente da que o mundo dá. “Deixo-vos a Paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. João 14.27.

Sono tranqüilo. Davi só tinha esse sono tranqüilo porque tinha consciência de estar realizando os passos acima citados, por isso e só por isso ele nos desafia dizendo: “Irai-vos e não pequeis; consultai o travesseiro e sossegai”. Ele nos desafia, não porque nunca errou, visto que ele mesmo disse: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoastes a iniqüidade do meu pecado” Salmo 32.3-5, mas porque, mesmo tendo pecado, obteve perdão ao confessá-los a Deus.

Repouso Seguro. Já diz o ditado “quem não deve não teme”. O salmista tinha repouso seguro porque tinha a presença de Deus consigo. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. Salmo 23. 4

Assim como o salmista Davi denunciou a corrupção do homem “Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. - Salmo 14:2-3. O apóstolo Paulo também o faz em Romanos 3.10-12 “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. Mas o diferencial é que ao continuarmos lendo a carta de Paulo encontramos a solução para a corrupção humana “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Romanos 5:1-2,7-8.

Por isso essa conversa no travesseiro só pode terminar com uma palavra do grande psicólogo Jesus Cristo que nos diz: “Vinde a mim todos vós que estás cansados e oprimidos e eu vos aliviarei, tomai sobre vós o meu julgo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, porque meu jugo é suave e meu fardo é leve”. Mateus 11.28-30.

Que nós seres humanos somos corruptos e corrompidos somos, mas Davi nos ensina o que precisamos fazer para nos tornarmos pecadores justificados em Cristo Jesus. Faça isso o quanto antes, busque o senhor em oração, se entregue a Ele para que possa pertencer a Ele e quebrante-se sempre.

Amém

Mensagem pregada no 1º Culto da Primeira Igreja Batista do Coração De rio Doce, Olinda-PE, no dia 29 de junho de 2008,
pelo seminarista Roosevelt Arantes da Silva

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A Hermenêutica Bíblica na Perspectiva Antropológica

Por: Roosevelt Arantes da Silva

É bem verdade que a hermenêutica bíblica foi, é e continuará sendo um desafio para todos que a desejar fazer de forma responsável. Ainda mais quando utiliza-se a ótica antropológica.

É um desafio, pois os fatos bíblicos foram vivenciados em tempo e cultura isolados. No entanto a Bíblia hoje possui um alcance “global” – mesmo havendo lugares que ela ainda não chegou. Podemos imaginar, ao pensar ou tentar explicar, a melhor interpretação para os dias de hoje de textos com o de juízes 20.6. “Então peguei na minha concubina, e fi-la em pedaços, e a enviei por toda a terra da herança de Israel; porquanto fizeram tal malefício e loucura em Israel.” Podemos afirmar que esse texto em seu sentido literal estaria totalmente fora da nossa realidade.

É um desafio, porque grande parte dos fatos bíblicos foram registrados em tempo e cultura diferentes dos que foram vivenciados. A exemplo disso são os evangelhos. Jesus viveu dos anos 1 aos 33 e o evangelho de Marcos, o primeiro a ser escrito, só o foi entre os anos 64 e 68 d.C.1, trinta e um anos depois.

É um desafio, visto que as traduções da Bíblia para as “línguas modernas” foram feitas também em momentos e culturas diferentes das que foram vividas e registradas. A Bíblia em português foi traduzida e publicada totalmente na Inglaterra, pelo padre português João Ferreira de Almeida, apenas em 18192.

Como se não bastasse , podemos dizer que a hermenêutica bíblica na perspectiva antropológica continua sendo um desafio, porque tanto o expositor como o ouvinte da Bíblia hoje vivem em um contexto histórico-político-social bem diferente um do outro, ou seja em um pluralismo – bem descrita por Peter L.Berger“Um estado em que há pessoas que levam uma vida diferente na mesma sociedade (...) estado em que se encontram juntas diferentes formas de vida numa sociedade sem referências a uma ordem comum de valores”3 – e de todas as etapas vivida pela Bíblia até ela chegar como está em nossas mãos.

Resta-nos então uma aproximação, cautelosa e responsável, da Bíblia. Trazendo para a sociedade atual os aspectos relevantes da Palavra da Deus, de forma que atinja as carências do nosso povo. Como já disse o professor Carlos A. Pires “Não é fácil interpretar com exatidão a Bíblia e anunciar com nitidez a verdade de Deus. (...) Desta forma, ocupemo-nos de inquirir sobre as normas comuns que nos permita entender com maior pureza a mensagem bíblica e entregá-la com a maior nitidez possível.”4 . E assim poder ter uma consciência tranqüila quanto à hermenêutica utilizada.

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1. UNGER, Merrill Frederick. Manual Bíblico Unger. São Paulo: Vida Nova, 2006. p 394.

2. http://www.pilb.t5.com.br/1Bibliaportu.htm

3. BERGER, Peter L. Modernidade, Pluralismo e Crise de Sentidos. Petrópolis: Vozes,2005. p 37.

4. PIRES, Carlos Alberto. O que é hermeneutica. Rio de Janeiro-RJ:MK,2004. p 85.